Lá no beco da ti’Juliana
logo logo tem a cantina do Dias mulungo
e há uma árvore que sabe das coisas
ela viu tudo, tudo.
A luz do jeep cinzento
as fardas pretas e os bastões
viu as botas ouviu os gritos
ela viu tudo, tudo
lá no beco da ti’Juliana
onde o caniço está partido
eles bateram, bateram, bateram
no fim das luzes ficou um corpo caído
mais o caniço, tudo partido
nem o Dias nem ninguém
abriu uma janela, uma porta, um grito
a ti’Juliana dormia sem sono
a árvore viu tudo tudo.
Foi lá no beco escondido,
as fardas pretas arrombaram o caniço;
as botas pisaram, os bastões bateram
e a árvore viu tudo tudo
De manhã passos de criança
sob a árvore que sabe das coisas
misturaram areia ao sangue caído
lá, onde o caniço está partido
os pés correram as mãos brincaram
lá onde o caniço está partido
onde está a árvore que sabe das coisas
ela que viu tudo, tudo
Um dia crescerão e
eles sabem tudo, eles sabem tudo
José Alberto Sitoe
Palavras ditas ...
Se eu gosto de poesia?
Gosto de gente, bichos, plantas, lugares, chocolate, vinho, papos amenos, amizade, amor... Acho que a poesia está contida nisso tudo."
Carlos Drumond de Andrade
Gosto de gente, bichos, plantas, lugares, chocolate, vinho, papos amenos, amizade, amor... Acho que a poesia está contida nisso tudo."
Carlos Drumond de Andrade
Mostrando postagens com marcador José Alberto Sitoe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador José Alberto Sitoe. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 25 de março de 2011
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Palavras em Negro
Antes de tu chegares com as caravelas
as missangas a cruz
eu tinha o meu ritmo sereno de crescer
lento como o Sol induzia
e eu falava
Contigo aprendi a comerciar
a vender os meus irmãos
que as caravelas levaram
deixando um rasto de progresso
um vazio e a cruz
e eu calei-me
Nas savanas em que eu caçava
descobri que um pala-pala era pouco
para quem tanta fome tinha
e matava vinte por prazer
e eu calei-me
Foi também contigo que aprendi
que as minhas mulheres eram tuas
sempre que o querias
tive filhos mulatos
e eu calei-me
Quando aprendi a tua língua
(pois tu não aprendias a minha)
descobri que ao dizer não
as bombardas falavam muito alto
e eu calei-me
Nas tuas guerras fui teu soldado
cobrei-te os meus impostos e fui teu cipaio
- até brinquei com os teus filhos
mas na tua mesa nunca houve mais um lugar
e eu calei-me
Prendeste os meu chefes
deste-me administradores
o prazo e o chibalo
o rand e o algodão
e eu calei-me
E quando quis falar
voltar a ser independente
disseste-me não em balas que senti
herdeiras das cidades que te construí
devolvi-tas
e, finalmente
tu calaste-te e eu falei.
Tanto que eu contigo aprendi...
José Alberto Sitoe
as missangas a cruz
eu tinha o meu ritmo sereno de crescer
lento como o Sol induzia
e eu falava
Contigo aprendi a comerciar
a vender os meus irmãos
que as caravelas levaram
deixando um rasto de progresso
um vazio e a cruz
e eu calei-me
Nas savanas em que eu caçava
descobri que um pala-pala era pouco
para quem tanta fome tinha
e matava vinte por prazer
e eu calei-me
Foi também contigo que aprendi
que as minhas mulheres eram tuas
sempre que o querias
tive filhos mulatos
e eu calei-me
Quando aprendi a tua língua
(pois tu não aprendias a minha)
descobri que ao dizer não
as bombardas falavam muito alto
e eu calei-me
Nas tuas guerras fui teu soldado
cobrei-te os meus impostos e fui teu cipaio
- até brinquei com os teus filhos
mas na tua mesa nunca houve mais um lugar
e eu calei-me
Prendeste os meu chefes
deste-me administradores
o prazo e o chibalo
o rand e o algodão
e eu calei-me
E quando quis falar
voltar a ser independente
disseste-me não em balas que senti
herdeiras das cidades que te construí
devolvi-tas
e, finalmente
tu calaste-te e eu falei.
Tanto que eu contigo aprendi...
José Alberto Sitoe
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Machamba
A enxada ergue-se e cai
ritmadamente
Uma para o imposto…
outra para o mulungo…
e mais esta, também…
Uma para mim…
tantas para não sei quem…
As AK's ergueram-se e soaram
ritmadamente
José Alberto Sitoe
ritmadamente
Uma para o imposto…
outra para o mulungo…
e mais esta, também…
Uma para mim…
tantas para não sei quem…
As AK's ergueram-se e soaram
ritmadamente
José Alberto Sitoe
Assinar:
Postagens (Atom)
Em destaque
orgasmo
fui ver o mar fez-se a mim fiz-me a ele as ondas desta vez tombaram de pé e espumaram de gozo Bénèdicte Houart (no dia internacional do org...
-
fui ver o mar fez-se a mim fiz-me a ele as ondas desta vez tombaram de pé e espumaram de gozo Bénèdicte Houart (no dia internacional do org...
-
Mangas verdes com sal sabor longínquo, sabor acre da infância a canivete repartida no largo semicírculo da amizade. Sabor lento, aleg...