Palavras ditas ...

Se eu gosto de poesia?
Gosto de gente, bichos, plantas, lugares, chocolate, vinho, papos amenos, amizade, amor... Acho que a poesia está contida nisso tudo."
Carlos Drumond de Andrade
Mostrando postagens com marcador Maria Alberta Menéres. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Maria Alberta Menéres. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de março de 2016

Pretexto



Por que não cai a noite, de uma vez? 
— Custa viver assim aos encontrões! 
Já sei de cor os passos que me cercam, 
o silêncio que pede pelas ruas, 
e o desenho de todos os portões. 

Por que não cai a noite, de uma vez? 
— Irritam-me estas horas penduradas 
como frutos maduros que não tombam. 

(E dentro em mim, ninguém vem desfazer 
o novelo das tardes enroladas.) 

Maria Alberta Menéres 

domingo, 25 de agosto de 2013

Água-Memória




Que súbita alegria me tortura
alegria tão bela e estranha
tão inquieta
tão densa de pressentimentos?
Que vento nos meus nervos
que temporal lá fora
que alegria tão pura, quase medo ao silêncio?





Pára a chuva nas árvores 
pára a chuva nos gestos, 
interiores contornos 
divisíveis distâncias 
ultrapassáveis gritos 
que alegria no inverno, 
que montanha esperada ou inesperado canto?


Maria Alberta Rovisco Garcia Menéres de Melo e Castro nasceu em Vila Nova de Gaia, Mafamude, a 25 de Agosto de 1930.

Escreveu o primeiro livro, Intervalo, em 1952. Água-Memória, ganhou o prémio do Concurso Internacional de Poesia Giacomo Leopardi em 1960.

Imagem copiada aqui

Em destaque

orgasmo

fui ver o mar fez-se a mim fiz-me a ele as ondas desta vez tombaram de pé e espumaram de gozo  Bénèdicte Houart (no dia internacional do org...