Quando encontrar alguém e esse alguém fizer
seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa
mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta: pode ser a pessoa que você está
esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo
for apaixonante, e os olhos se encherem
d'água neste momento, perceba:
existe algo mágico entre vocês.
Se o 1º e o último pensamento do seu dia
for essa pessoa, se a vontade de ficar
juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
Algo do céu te mandou
um presente divino : O AMOR.
Se um dia tiverem que pedir perdão um
ao outro por algum motivo e, em troca,
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos
e os gestos valerem mais que mil palavras,
entregue-se: vocês foram feitos um para o outro.
Se por algum motivo você estiver triste,
se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa
sofrer o seu sofrimento, chorar as suas
lágrimas e enxugá-las com ternura, que
coisa maravilhosa: você poderá contar
com ela em qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir, em pensamento, sentir
o cheiro da pessoa como
se ela estivesse ali do seu lado...
Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos,
chinelos de dedo e cabelos emaranhados...
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...
Se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a outra
envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção
que vai continuar sendo louco por ela...
Se você preferir fechar os olhos, antes de ver
a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes
na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.
Às vezes encontram e, por não prestarem atenção
nesses sinais, deixam o amor passar,
sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.
É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem
cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!
Carlos Drummond de Andrade
Palavras ditas ...
Se eu gosto de poesia?
Gosto de gente, bichos, plantas, lugares, chocolate, vinho, papos amenos, amizade, amor... Acho que a poesia está contida nisso tudo."
Carlos Drumond de Andrade
Gosto de gente, bichos, plantas, lugares, chocolate, vinho, papos amenos, amizade, amor... Acho que a poesia está contida nisso tudo."
Carlos Drumond de Andrade
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
sábado, 15 de janeiro de 2011
E por vezes
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.
David Mourão-Ferreira
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.
David Mourão-Ferreira
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Há palavras que nos beijam
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O´Neill
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O´Neill
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Poema do amigo aprendiz
Quero ser o teu amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te, sem medida, e ficar na tua vida da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade.
Sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar quando for hora de calar, e sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente nem presente por demais, simplesmente, calmamente, ser-te paz...
É bonito ser amigo.
Mas, confesso, é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças!
Dá-me tempo de acertar nossas distâncias.
Fernando Pessoa
imagem retirada daqui
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te, sem medida, e ficar na tua vida da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade.
Sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar quando for hora de calar, e sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente nem presente por demais, simplesmente, calmamente, ser-te paz...
É bonito ser amigo.
Mas, confesso, é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças!
Dá-me tempo de acertar nossas distâncias.
Fernando Pessoa
imagem retirada daqui
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Amor de fixação
Há um caminho marítimo no meu gostar de ti.
Há um porto por achar no verbo amar
há um demandar um longe que é aqui.
E o meu gostar de ti é este mar.
Há um Duarte Pacheco em eu gostar
de ti. Há um saber pela experiência
o que em muitos é só um efabular.
Que de naufrágios é feita esta ciência
que é eu gostar de ti como um buscar
as índias que afinal eram aqui.
Ai terras de Aquém-Mar (a-quem-amar)
naus a voltar no meu gostar de ti:
levai-me ao velho pinho do meu lar
eu o vi longe e nele me perdi.
Manuel Alegre
Há um porto por achar no verbo amar
há um demandar um longe que é aqui.
E o meu gostar de ti é este mar.
Há um Duarte Pacheco em eu gostar
de ti. Há um saber pela experiência
o que em muitos é só um efabular.
Que de naufrágios é feita esta ciência
que é eu gostar de ti como um buscar
as índias que afinal eram aqui.
Ai terras de Aquém-Mar (a-quem-amar)
naus a voltar no meu gostar de ti:
levai-me ao velho pinho do meu lar
eu o vi longe e nele me perdi.
Manuel Alegre
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Recomeça….
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…
Miguel Torga
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…
Miguel Torga
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Não Passou
Passou?
Minúsculas eternidades
deglutidas por mínimos relógios
ressoam na mente cavernosa.
Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz.
A mão- a tua mão, nossas mãos-
rugosas, têm o antigo calor
de quando éramos vivos. Éramos?
Hoje somos mais vivos do que nunca.
Mentira, estarmos sós.
Nada, que eu sinta, passa realmente.
É tudo ilusão de ter passado.
Carlos Drummond de Andrade
Minúsculas eternidades
deglutidas por mínimos relógios
ressoam na mente cavernosa.
Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz.
A mão- a tua mão, nossas mãos-
rugosas, têm o antigo calor
de quando éramos vivos. Éramos?
Hoje somos mais vivos do que nunca.
Mentira, estarmos sós.
Nada, que eu sinta, passa realmente.
É tudo ilusão de ter passado.
Carlos Drummond de Andrade
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Cantata ao Ano Novo
ajuda-me. guia-me a mão que segura a tua
e limparem a vida incolor e salgada que te escorre na face.
ajuda-me a ajudar-te a limpar esse novo velho rio,
esse caudal de desânimos que te afoga o sorriso
e a esperança. ajuda-me. guia-me a mão e a vontade.
sabes que sou um desajeitado e nem às nuvens arrumo
um horizonte de livro, daqueles de finais bonitos:
amontoam-se sem a elegância e o pormenor da magia,
e não há jardim que as queira como seu tecto
ou poema que delas se valha para encantar olhos que o façam seu leito.
repito-te, grito-te o apelo de um de janeiro, este dia igual
a duzentos! quinhentos! que não quero contar mais as lágrimas
que te vejo e me correm, sinto. roubo-tas
se não as limpares com o que o ano te roubou:
o sorriso, esse violino que embacia as janelas do peito,
a gargalhada, a tua orquestra mediática e que encanta quem a ouve.
embora eu pessoalmente prefira a discreta beleza
do teu gordinho, a ordenar as nuvens em céus e ritmos.
e finalmente os teus jardins, por quem sabe que é neles
que todas as lágrimas morrem e fazem-se flores.
a tua mão na minha ensina-a a ensinar a tua;
tocando-se, o milagre do ano que começa
terá conta diferente da longa má-escrita das rugas do passado.
assopraremos as nuvens e olharemos o horizonte,
nele há o que quisemos e construírmos!
e, cá em baixo, eu guardo em exclusivo as lágrimas
e delas sustento o lago. tu juntas a melodia do teu sorriso,
e de ano-cão inventaremos o perfeito,
as nuvens, a cor, e a vida secreta dos imunes
às malecidências do calendário.
ajudas-me, dás-me a tua mão para te roubar a lágrima e dela fazer um lago,
um lago dum lindo jardim como aqueles que recordamos?
Carlos Gil
e limparem a vida incolor e salgada que te escorre na face.
ajuda-me a ajudar-te a limpar esse novo velho rio,
esse caudal de desânimos que te afoga o sorriso
e a esperança. ajuda-me. guia-me a mão e a vontade.
sabes que sou um desajeitado e nem às nuvens arrumo
um horizonte de livro, daqueles de finais bonitos:
amontoam-se sem a elegância e o pormenor da magia,
e não há jardim que as queira como seu tecto
ou poema que delas se valha para encantar olhos que o façam seu leito.
repito-te, grito-te o apelo de um de janeiro, este dia igual
a duzentos! quinhentos! que não quero contar mais as lágrimas
que te vejo e me correm, sinto. roubo-tas
se não as limpares com o que o ano te roubou:
o sorriso, esse violino que embacia as janelas do peito,
a gargalhada, a tua orquestra mediática e que encanta quem a ouve.
embora eu pessoalmente prefira a discreta beleza
do teu gordinho, a ordenar as nuvens em céus e ritmos.
e finalmente os teus jardins, por quem sabe que é neles
que todas as lágrimas morrem e fazem-se flores.
a tua mão na minha ensina-a a ensinar a tua;
tocando-se, o milagre do ano que começa
terá conta diferente da longa má-escrita das rugas do passado.
assopraremos as nuvens e olharemos o horizonte,
nele há o que quisemos e construírmos!
e, cá em baixo, eu guardo em exclusivo as lágrimas
e delas sustento o lago. tu juntas a melodia do teu sorriso,
e de ano-cão inventaremos o perfeito,
as nuvens, a cor, e a vida secreta dos imunes
às malecidências do calendário.
ajudas-me, dás-me a tua mão para te roubar a lágrima e dela fazer um lago,
um lago dum lindo jardim como aqueles que recordamos?
Carlos Gil
domingo, 2 de janeiro de 2011
Pequenos gestos que são grandes emoções
Não importa onde você parou
em que momento da vida você se cansou
o que importa é que sempre é possível e
necessário “Recomeçar”.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo
é renovar as esperanças na vida e o mais importante
acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
foi aprendizagem …
Chorou muito?
foi limpeza da alma …
Ficou com raiva das pessoas?
foi para as perdoar um dia …
Sentiu-se só por diversas vezes?
é porque fechou a porta até para os anjos …
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da sua melhoria …
Pois é … agora é hora de reiniciar … de pensar na luz
De encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Que tal
Um corte de cabelo arrojado … diferente?
Um novo curso … ou aquele velho desejo de aprender a pintar, desenhar,
dominar o computador … ou qualquer outra coisa.
Olha quanto desafio … quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te esperando!
Tá se sentindo sozinho?
Besteira! Tem tanta gente que você afastou com o seu “período de isolamento”…
Tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu para “chegar” perto de ti.
Quando nos trancamos na tristeza … nem nós mesmos nos suportamos …
ficamos horríveis … o mal humor vai corroendo nosso fígado …
até a boca fica amarga.
Recomeçar … hoje é um bom dia para começar novos desafios.
Onde você quer chegar? Sonhe alto … queira o melhor do melhor!
Queira coisas boas para a vida…
pensando assim trazemos prá nós aquilo que desejamos.
Se pensamos pequeno, coisas pequenas teremos …
Já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente lutarmos pelo melhor,
O melhor vai instalar-se na nossa vida.
E é hoje o dia da faxina mental … joga fora tudo que te prende ao passado …
ao mundinho de coisas tristes … fotos … peças de roupa, papel de bala …
ingressos de cinema, bilhetes de viagens …
e toda aquela tranqueira que guardamos quando nos julgamos apaixonados …
jogue tudo fora… mas principalmente: esvazie seu coração,
fique pronto para a vida … para um novo amor…
Lembre-se somos apaixonáveis …
somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes …
Afinal de contas… Nós somos o “Amor”…
” Porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura. “ [F. Pessoa]
Carlos Drummond de Andrade
Não importa onde você parou
em que momento da vida você se cansou
o que importa é que sempre é possível e
necessário “Recomeçar”.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo
é renovar as esperanças na vida e o mais importante
acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
foi aprendizagem …
Chorou muito?
foi limpeza da alma …
Ficou com raiva das pessoas?
foi para as perdoar um dia …
Sentiu-se só por diversas vezes?
é porque fechou a porta até para os anjos …
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da sua melhoria …
Pois é … agora é hora de reiniciar … de pensar na luz
De encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Que tal
Um corte de cabelo arrojado … diferente?
Um novo curso … ou aquele velho desejo de aprender a pintar, desenhar,
dominar o computador … ou qualquer outra coisa.
Olha quanto desafio … quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te esperando!
Tá se sentindo sozinho?
Besteira! Tem tanta gente que você afastou com o seu “período de isolamento”…
Tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu para “chegar” perto de ti.
Quando nos trancamos na tristeza … nem nós mesmos nos suportamos …
ficamos horríveis … o mal humor vai corroendo nosso fígado …
até a boca fica amarga.
Recomeçar … hoje é um bom dia para começar novos desafios.
Onde você quer chegar? Sonhe alto … queira o melhor do melhor!
Queira coisas boas para a vida…
pensando assim trazemos prá nós aquilo que desejamos.
Se pensamos pequeno, coisas pequenas teremos …
Já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente lutarmos pelo melhor,
O melhor vai instalar-se na nossa vida.
E é hoje o dia da faxina mental … joga fora tudo que te prende ao passado …
ao mundinho de coisas tristes … fotos … peças de roupa, papel de bala …
ingressos de cinema, bilhetes de viagens …
e toda aquela tranqueira que guardamos quando nos julgamos apaixonados …
jogue tudo fora… mas principalmente: esvazie seu coração,
fique pronto para a vida … para um novo amor…
Lembre-se somos apaixonáveis …
somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes …
Afinal de contas… Nós somos o “Amor”…
” Porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura. “ [F. Pessoa]
Carlos Drummond de Andrade
sábado, 1 de janeiro de 2011
Quando Eu não te Tinha
Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo.
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima ...
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor —
Tu não me tiraste a Natureza ...
Tu mudaste a Natureza ...
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.
Alberto Caeiro, in "O Pastor Amoroso"
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo.
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima ...
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor —
Tu não me tiraste a Natureza ...
Tu mudaste a Natureza ...
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.
Alberto Caeiro, in "O Pastor Amoroso"
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